Depois do consultor, empresário e professor Philipe Moura, a Jornada de Inovação e Formação de Liderança do Confea recebeu, nesta terça-feira (20/1), o empreendedor, palestrante e consultor João Silva. Voltados para o fortalecimento da cultura de inovação, da escuta qualificada e da construção coletiva de soluções estratégicas para o Sistema Confea/Crea e Mútua, os ciclos formativos e colaborativos da Jornada promovem reflexões sobre a inovação do sistema profissional. As palestras são realizadas no YouTube do Confea. A programação faz parte do Confea-X que também promoverá os Laboratórios de Inovação durante o 15º Encontro de Líderes, que acontece de 28 a 30 de janeiro, em Brasília. Os resultados dessas ações colaborativas fomentarão programas e outras iniciativas institucionais do Confea.
Enquanto o executivo Philipe Moura abordou aspectos como estratégia corporativa, inovação e impacto na palestra “Pessoas, Propósito e Oportunidades”, no último dia 15, João Silva apresentou o tema “Negócios, Mercado e Crescimento”, desenvolvendo aplicações práticas da inovação na nova economia e na inteligência artificial, considerados instrumentos para o desenvolvimento local. Na próxima semana, dia 27, o palestrante Emmanuel Xavier tratará sobre o tema “Validação, Produtos e Prototipação”. No Encontro de Líderes nos dias 29 (8h, 10h, 12 e 14h) e 30 de janeiro (8h e 10h), João, Emmanuel e ainda o empresário Raul Lamarca aprofundarão suas visões. Confira mais detalhes.
Na primeira palestra, o presidente Vinicius Marchese destacou o potencial inovador e colaborativo da Jornada de Inovação e Formação de Liderança, que, se somando a iniciativas do Confea-X, como os hackathons e as trilhas formativas, promove uma porta de entrada para boas ideias, capazes de impactar o maior número possível de profissionais. “Estabelecemos uma frente voltada a acolher, aprimorar e implementar boas ideias, com o objetivo de transformar o Sistema Confea/Crea, evoluir os serviços prestados e aperfeiçoar a escuta qualificada para a proposição de caminhos e soluções. Tudo isso dentro de uma metodologia estruturada e em respeito à natureza jurídica da nossa autarquia. Estamos avançando em uma trajetória de disrupção responsável e de maior interface com o profissional”, ressaltou a liderança do Confea na primeira palestra.
Negócios, mercado e crescimento
Com 20 anos de atuação na interseção entre gestão, tecnologia e inovação, João Silva buscou apresentar as aplicações práticas da inovação, reforçando uma metodologia própria para empreender em cenários emergentes, marcados pela incerteza, assimetria de informação e necessidade de aprendizado acelerado. Transformar a inovação em execução e estratégia de crescimento sustentável, aumento da competitividade e fortalecimento das cadeias locais de valor foram algumas das suas perspectivas.
João Silva considerou que a sociedade, após a revolução industrial, era marcada por uma demanda reprimida, baixa concorrência e centralização da informação. ”Até pouco antes do século XXI, o diferencial era quem produz mais, mais barato e com menos erro”, diz, explicando a origem do planejamento estratégico como tecnologia social e suas aplicações até hoje, o uso da mídia e outros aspectos da mudança vivenciada a partir de então, por meio da internet. “Há uma divisão geracional entre quem nasceu antes e depois a internet. A Web 2.0 é uma maneira diferente como a gente passou a utilizar essa tecnologia”, introduziu.
Confira a seguir alguns conceitos apresentados pelo pesquisador, no contexto da transformação dos negócios no século XXI:
• A psicologia do consumidor, com o maior questionamento à lealdade da marca;
• a ruptura social baseada no volume de informação consumida, por meio das redes sociais;
• a transformação da sociedade em uma plataforma, com o consumidor também produzindo seu conteúdo;
• as novas realidades de compra; a transformação da visão sobre o mercado;
• as estratégias para enfrentar um universo marcado pela volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade para a criação de um design estratégico, calcado na adaptabilidade, no desenvolvimento voltado para as pessoas e na “venda puxada” (baseada na demanda latente);
• o conceito de inovação como método de aprendizado em ambiente incerto;
• o uso do Design Thinking como abordagem para resolver problemas complexos a partir das pessoas;
• A inovação nasce da interseção entre o que as pessoas querem, o que é tecnicamente possível e o que faz sentido economicamente;
• Os valores fundamentais do Design Thinking: empatia (compreensão profunda da realidade do usuário); colaboração (construção multidisciplinar e co-criativa); experimentação (testes rápidos para validar hipóteses) e aprendizado contínuo (o erro interpretado como fonte de dados);
• Definição de “startup” como a organização temporária em busca de um modelo de negócio repetível e escalável.
Nova Economia
Segundo João Silva, a Nova Economia envolve o novo comportamento do consumidor, “como auditor que tem um estímulo, pesquisa, compra e sua experiência gerará um estímulo positivo ou negativo para compra”, a mudança de eixo do consumo para a decisão e o fim da lógica do “produto pronto para um sistema em evolução constante”. Assim, a Nova Economia, calcada no uso da internet, giraria em torno do controle e da navegação em sistemas complexos, tendo características de adaptabilidade, distribuição, relacionamento, orientação por dados e centralização nas pessoas.
Nesse contexto, a “nova empregabilidade”, definida como a capacidade de leitura de contexto e aprendizado contínuo, envolveria pensamento analítico, aprendizado ativo e resolução de problemas complexos, em detrimento a aspectos como a repetição e a estabilidade.
Já o uso da Inteligência Artificial Generativa proporciona um novo paradigma para os negócios em todo o mundo. “Ela muda como nós pensamos, estamos saindo da era da conexão para a era da cognição. A IA não substitui o humano, ela amplia o que o humano pode fazer”, diz, afirmando que o impacto da produtividade de 25% na velocidade e de 40% na qualidade, por meio do uso da IA Generativa. “No contexto da Nova Economia com IA aplicada, a gente tem ciclos rápidos de aprendizado, testes de baixo custo, exploração de cenários, personalização em escala e decisões baseadas em dados”, descreveu.
Fonte: Confea




