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Quarta, 23 Maio 2018 18:51

Palavra da Presidente Destaque

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A Serviço da Humanidade

Nossas profissões - a Engenharia e a Agronomia – estão presentes em praticamente todas as coisas e atividades do cotidiano. Da água que bebemos, à lâmpada que acendemos; do carro que nos transporta, à comida que chega à mesa, tudo tem, inerente, a técnica e o talento de agrônomos e engenheiros de todas as modalidades.

Pensemos: o que seria de um centro cirúrgico sem a engenharia que busca sem cessar a evolução dos equipamentos? E como ficaria nossa saúde, não tivéssemos o trabalho dos agrônomos para nos entregar alimentos adequados e garantir a segurança alimentar do planeta?

Muitas vezes, contudo, a importância do nosso trabalho não é percebida. Todos estão tão acostumados com as facilidades do dia a dia, que deixam de reconhecer a ciência e o trabalho que há por trás delas. Nesse “alheamento”, perde o profissional da área tecnológica que, por tabela, também deixa de ser reconhecido e consequentemente, valorizado.

No Brasil, não é raro a engenharia ser lembrada apenas na falta de alguma dessas facilidades, ou pior, apenas em situações de acidentes e catástrofes – quando ponte cai, a barragem rompe, o edifício desaba ou o frigorífico é interditado.

Dado esse contexto, se desejamos a tão procurada valorização profissional – conjunto de fatores que começa com o reconhecimento da importância do nosso trabalho – é necessário que, ao invés de aguardarmos passivamente o momento dos próximos problemas e escândalos- e eles infelizmente, ainda acontecem -, busquemos todos, proativamente, a ampla e contínua divulgação do valor e do orgulho que temos de nossas profissões.

Seja nos pequenos espaços de convivência ou por meio de grandes campanhas, precisamos nos posicionar e mostrar ao mundo o que fazemos e os bons resultados de nosso trabalho. Precisamos lembrar as pessoas que a engenharia é o oxigênio da inovação e está no centro do desenvolvimento de qualquer país. Que só com a ciência agronômica será possível alimentar a humanidade.

A Lei 5.194/66, que regula o nosso exercício profissional, traz explícita logo no seu primeiríssimo artigo que as profissões dos engenheiros e agrônomos são caracterizadas pelas “realizações de interesse social e humano”. Isso pode parecer uma obviedade, mas é ponto importante a destacar. O que acontece é que, às vezes, foca-se demais na técnica e nas formalidades, e esquece-se do mais importante: pensar nos impactos e nas transformações que nosso trabalho pode ter e gerar na sociedade.

A técnica e o senso de servir às pessoas não podem andar dissociados. Por isso a importância de humanizar ao máximo nossas ações. Pensar não só nas sustentabilidades econômica de nosso negócio, obras, produtos e serviços, mas principalmente, nas sustentabilidades sociais e ambientais. Já dizia Gilberto Freyre que “sem um fim social, o saber será a maior das futilidades”.

Quando nossas profissões são exercidas sob bases humanistas, privilegiando o bem comum e o desenvolvimento sustentável que pensa nas gerações por vir, os resultados são inevitavelmente, muito mais relevantes e positivos para todos.

E é aliando essa consciência - interna - sobre nossa responsabilidade e missão no mundo, com a divulgação - externa – da importância e imprescindibilidade de nosso trabalho, que pavimentamos a estrada para o reconhecimento de nosso valor.

Fato é que a valorização de nossas profissões não veio e não virá por decreto. Porque ela não passa pela “obrigatoriedade”, mas sim pela “necessidade”. Quando a sociedade entender que estamos a serviço do seu bem estar, da sua integridade, não precisaremos ”impor” nossa presença; Reconhecidos como necessários, seremos naturalmente “convidados” a participar e a ocupar o lugar que merecemos: no centro das decisões que dizem respeito ao desenvolvimento das nações e a melhoria da qualidade da vida no planeta.

Fátima Có

Última modificação em Quarta, 23 Maio 2018 20:55

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