CREA-DF
Terça, 07 Novembro 2017 14:06

Sucessão de erros de engenheira civil causaram duas mortes Destaque

Escrito por  Correio Braziliense
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A engenheira civil que assinou o projeto da obra do prédio que desabou em Vicente Pires responde a um processo ético no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Distrito Federal (Crea-DF). Daliane Cardoso Mendonça foi multada em R$ 646,39 por não ter concluído o cadastro da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) da montagem da tenda do Circo Khronos, em março deste ano. A estrutura desabou e também matou um jovem de 17 anos. A ART define quem são os responsáveis técnicos pela construção. Já a obra do edifício na Colônia Agrícola Samambaia, em Vicente Pires, era ilegal e havia sido autuada cinco vezes pela Agência de Fiscalização do DF (Agefis).

Daliane havia feito a ART da obra em Vicente Pires em 23 de agosto de 2016, mas o presidente do Crea-DF, Flávio Correia de Sousa, acredita que não houve acompanhamento da execução do projeto. Engenheira desde 1995, a profissional tem diversas obras e laudos na ficha cadastrada no conselho, mas, agora, enfrentará um segundo processo ético. “O engenheiro é responsável pelo projeto e execução. Por isso, precisa acompanhar o serviço desde o início para saber se foi executado conforme o projetado, porque, se não, coloca em risco operários e estruturas”, alertou Flávio.

O processo de investigação contra Daliane vai para a Câmara de Engenharia Civil do Crea-DF e, depois, é enviado à Comissão de Ética. Após ouvir testemunhas e a profissional, o caso retorna para ser colocado em votação. As penalidades variam desde aplicação de multa até a perda do registro profissional, se ficar comprovado, por exemplo, negligência. “Pelo menos leva a crer, em primeiro momento, que esse foi o caso (de negligência). Às vezes, o profissional têm atribuição, mas não conhecimento específico para a obra. É necessário uma certa experiência”, ressaltou o presidente do Crea-DF, que é engenheiro civil e especialista em segurança do trabalho.


A empresa responsável pela obra, que também leva o nome da vítima, Agmar Silva, 55 anos, atuava de maneira irregular, segundo o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal (CAU-DF). Ela não tinha registro no Conselho nem no Crea-DF. A firma é Agmar e Lissandra Arquitetura. Segundo o CAU-DF, a profissional cujo nome consta na placa de identificação instalada na obra, Lissandra Latorraca, será notificada da ausência do Registro de Responsabilidade Técnica (RRT).


O Correio ligou três vezes para o número de celular de Lissandra, mas não conseguiu contato. A reportagem também tentou falar no telefone fixo que aparece como sendo de Daliane, mas ninguém atendeu às ligações.

Vítima

O homem que morreu no desabamento do prédio tinha uma parceria com Lissandra. Juntos, eles executavam projetos de arquitetura, segundo o filho de Agmar, Bruno Rodrigues Silva, 34 anos. No entanto, ele confirmou que o pai não tinha formação em engenharia nem em arquitetura. “Ele fez até o segundo grau e fazia projetos junto com a Lissandra. Ele era empresário em capacitação de projetos”, explicou.

O corpo da vítima, encontrado 66 horas após as buscas dos bombeiros, foi enterrado na manhã de ontem no Cemitério de Taguatinga. Lissandra acompanhou o funeral. O filho de Agmar contou que a família não sabia do histórico da engenheira. “Só a perícia vai avaliar o que aconteceu. Mas acreditamos em erro de execução do projeto. Os documentos estão aí para comprovar a forma com que (o prédio) foi construído. Se ele tivesse sido executado como projetado, não teria caído”, desabafou.

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